9 gráficos para descomplicar o QI

Ninguém gosta de ser reduzido a um número. No entanto, há um que diz muito sobre você: o seu Quociente de Inteligência, ou simplesmente QI.

É comum pensar que o QI é uma noção ultrapassada, discriminante ou menos importante que outros fatores como a Inteligência Emocional ou a personalidade. Todavia, de acordo com Stuart Ritchie, pesquisador da Universidade de Edinburgo e especialista em pesquisas sobre Inteligência, existem dados que evidenciam que o QI é um dos melhores preditores da longevidade, da saúde e da prosperidade. O mais marcante de tudo isso é que, com o tempo a maioria dos pesquisadores chegam às mesmas conclusões!

Em seu livro, Inteligência: Tudo o que Importa, Ritchie insiste no fato de que, se o quociente intelectual não estabelece necessariamente um limite de ação, ele constitui, inegavelmente, o ponto de partida de cada um de nós. Entretanto, a verdade é que alguns partem com mais vantagem que outros.

Vamos aos 9 fatos que explicam o quociente intelectual e, acima de tudo, porque ele é tão importante.

1 – A maior parte das pessoas tem uma inteligência mediana

A primeira coisa a saber sobre o QI é que se trata de uma pontuação composta e constituído pelos dados vindos de vários testes que avaliam o raciocínio, a memória, a aquisição de conhecimentos ou ainda, a velocidade de processamento da informação. Para chegar ao quociente intelectual, basta adicionar os valores obtidos em cada um desses subtestes e comparar o resultado obtido com a população geral. Por razões práticas, a média do quociente intelectual é fixado em 100.

Entre diversas características humanas, o QI estabelece, no gráfico abaixo, uma curva de sino quase perfeita. Isso implica que a maior parte das pessoas que você encontra tem, provavelmente, um score médio .Consequentemente, pouquíssimos tem uma inteligência excepcional. Somente 2,2% da população possui um QI superior a 130. Em geral, é necessário falar com 50 pessoas para encontrar uma cuja a inteligência se destaque de verdade.

9 gráficos para descomplicar o QI


As pessoas que têm um quociente elevado, normalmente conseguem scores elevados no conjunto de subtestes, e não apenas em domínios específicos. A capacidade de desligar luzes que piscam (sim, isso é medido pelos testes de QI!), é relacionado a compreensão de texto complexos ou inteligência espacial.

Essa superposição entre diferentes formas de inteligência é o que os psicólogos chamam “Fator G”. Até hoje, não conseguiram estabelecer onde ele está localizado no cérebro e ou como ele funciona exatamente. O que é sabido é que o Fator G é real quando relacionamos com as diversas coisas que acontecem na vida. Pode ser quanto você receberá financeiramente, em qual medida você será produtivo no trabalho e até mesmo se você morrerá ou não de forma prematura. Ok, isso é assustador.

2 – Ser inteligente pode te proteger da morte

De acordo com várias pesquisas, as pessoas que possuem um QI elevado têm tendência a levar uma vida mais saudável e a viver mais tempo que os outros. O gráfico abaixo apresenta os resultados de um estudo realizado com 1 milhão de homens suecos. Fica claro que é de 1 para 3 a possibilidade de sobrevida entre as pessoas mais inteligentes.

Uma pessoa cujo quociente intelectual é baixo tem 3 vezes mais chance de morrer que uma pessoa com QI elevado. Sim, você leu certo: 3x mais.

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3 – A inteligência prediz o sucesso profissional e a riqueza, mas não a felicidade

Assim como a mortalidade, a ligação entre o QI e o sucesso profissional é positivo. As pessoas que têm quocientes intelectuais elevados têm tendências a produzir mais e a ganhar mais dinheiro. Mas essas correlações estão longe de serem perfeitas.

Para lembrar, uma correlação varia entre -1 e 1, sendo que 1 significa que para cada incremento de QI, há uma elevação linear de outra variável, por exemplo a produtividade, o salário e a mortalidade que evoluíram de forma proporcional.

O fato é que a maior parte das correlações que observamos não ultrapassam os 50. Isso significa que existem outras variáveis que intervêm na equação. Por essa razão é possível cruzar as pessoas mais inteligentes, mas que não serão necessariamente superprodutivas.

9 gráficos para descomplicar o QI

Com todas essas vantagens ligadas a um QI elevado (riqueza, saúde, longevidade), poderíamos facilmente imaginar que as pessoas mais inteligentes são igualmente mais felizes na vida. Bem, não necessariamente.

Há sim uma relação positiva entre o QI e a felicidade. Claro, longe da força que se espera e, às vezes, estatisticamente a quem de ser significativa. O quociente de inteligência também não está relacionado à personalidade.

Entre os Big 5, o único traço ligado positivamente ao QI é a abertura (openness). As pessoas que têm uma inteligência superior têm, de fato, a tendência a procurar novas experiências, além de pensar mais e conseguem trabalhar com diferentes conceitos ou ideias.

4 – As pessoas não se tornam mais inteligentes com o tempo

Os estudos evidenciam que caso a criança seja inteligente, sem dúvidas, será será adulto inteligente. O gráfico apresenta os resultados de um estudo escocês, no anos 90, com um grupo de pessoas que haviam 11 anos.

9 gráficos para descomplicar o QI


Embora a inteligência decline com a idade, é veja que aqueles que tinham bons scores de QI aos 11 anos também são os que o quociente intelectual declinou menos com a idade.

5 – Aos 25 anos, você está no topo! Depois, lentamente, declina.

Se você tem entre 25 e 30 anos sem dúvida é a sua versão mais inteligente. A partir dos 30 isso começa a não fazer mais parte de você.

Depois de 25 anos de fato, a Inteligência Cristalizada (os conhecimentos que você é capaz de acumular) vão encontrar uma espécie de chapada. Enquanto a sua Inteligência Fluida (capacidade de resolver novos problemas) começa a declinar.

9 gráficos para descomplicar o QI

Para compreender a origem desse declínio do quociente intelectual, seria sem dúvida interessante se interessar ao substrato biológico da inteligência.

Ainda não é possível identificar os genes que determinam o QI, nem como o seu declínio. Isso acontecendo, será possível dizer quais são as pessoas que tem grande possibilidade de ter fortes declínios durante a vida, e claro, entendê-los melhor do ponto de vista médico.

6 – A metade da inteligência é herdada. É o momento de agradecer (ou não) aos seus pais

Inúmeros estudos que compararam gêmeos idênticos identificaram que cerca de 50% do quociente intelectual pode ser explicado pelos nossos genes. E isso parece aumentar, como visto no gráfico.

9 gráficos para descomplicar o QI

O que podemos ver nessa representação é que os genes de gêmeos parecem menos importantes na determinação do seu quociente intelectual quando eles são crianças do que quando eles entram na idade adulta.

Os pesquisadores Rober Plomin e Ian Deart sugerem que isso pode ser atribuído ao “fenômeno de amplificação genética”. A amplificação genética é o processo pelo qual as pequenas diferenças genéticas podem ter um efeito exponencial, à medida que as crianças selecionam, modificam ou criam ambientes coerentes em relação às suas propensões genéticas.

Tomemos o exemplo de uma criança cuja propensão a ser inteligente poderia impulsioná-la a passar tempo em uma biblioteca… com 6 anos, há poucas chances para que seus pais o autorizem ir à biblioteca sozinha. Todavia, aos 16, não haverá nenhum problema para fazê-lo.

A ideia é que na medida que nós crescemos temos cada vez mais controle sobre o ambiente. É certo que os ambientes criados potencializam a capacidade dos nossos genes.

7 – Os genes não são o único fator que condiciona nossa inteligência

Felizmente, os genes não são suficientes para selar nosso destino quando falamos de QI. A diferenças presentes podem ser relacionada ao ambiente. A forma como nos alimentamos (sim, há alimentos que valorizam a inteligência e outros não), a educação e as necessidades de saúde são algumas dessas diferenças.

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8 – As pessoas se tornam cada vez mais inteligentes!

O score médio do quociente intelectual na população aumenta de 2 a 3 pontos a cada 10 anos! Esse fenômeno é o que chamamos o efeito Flynn e há fortes chances de que ele esteja diretamente ligado às melhoras na alimentação, cuidados e também aos progressos realizados na educação.

No seu livro, Stuart Richie trata também a respeito da importância do conhecimento crescente enquanto impulsionador econômico. Isso está ligado à inteligência abstrata, tal como ela é medida pelos testes.

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9 – A inteligência evolui mais rapidamente nos países em desenvolvimento

A maior parte dos ganhos rápidos a nível de quociente intelectual acontecem em países emergentes, onde o desenvolvimento das condições (nutrição infantil e acesso aos cuidados de saúde) provocam grandes diferenças em termos de progressão da inteligência.

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Para concluir sobre o quociente intelectual

Certamente a inteligência não faz tudo…, mas se deve reconhecer que ela tem um impacto incrível sobre um grande número de aspectos da nossa vida cotidiana!

Veja por que – se você é recrutador ou gestor de talentos – eu penso sinceramente que você deveria integrar a avaliação de aptidões dos seus candidatos nos seu processo de avaliação e de seleção (além de avaliar a personalidade e as motivações).

Avaliar meus candidatos a partir de agora!

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